Simuladores

A regra que vale hoje, aplicada número a número.

Dois motores de cálculo em Rust, com premissas declaradas e exemplos abertos: payback solar conforme a Lei 14.300/2022 e economia de migração do mercado cativo para o mercado livre (ACL). Os mesmos motores atendem o dashboard e a API.

Payback solar

Pós-Lei 14.300 — sem atalho de planilha

A maioria das planilhas de proposta ainda ignora o escalonamento do TUSD Fio B. Em 2026, com o Fio B em 60%, isso significa prometer ao cliente um payback que não vai acontecer.

O QUE O MOTOR CONSIDERA
  • Fio B escalonado ano a ano: 45% em 2025, 60% em 2026, 75% em 2027, 90% em 2028 — cobrado sobre a energia injetada e compensada (Art. 27).
  • Direito adquirido (Art. 26): sistemas protocolados antes de 07/01/2023 pagam 0% de Fio B até 2045.
  • Simultaneidade: parcela do consumo instantâneo (padrão 30%) valorada à tarifa cheia; o restante vira crédito SCEE.
  • Custo de disponibilidade: 30 / 50 / 100 kWh por mês (mono, bi, trifásico), que créditos não compensam.
  • Degradação dos módulos (0,5% ao ano), O&M (1% do CAPEX ao ano) e troca do inversor no ano 12 (10% do CAPEX).
  • Tarifa real (TE + TUSD) da concessionária local, homologada pela ANEEL — inclusive o componente Fio B.
  • Resultados: payback simples, TIR, LCOE e fluxo de caixa em 25 anos.
Premissas declaradas: a geração usa estimativa de referência de rendimento por município (kWh/kWp·ano) — não medição de estação. Para 2029 em diante, na ausência da regulamentação definitiva da ANEEL, o motor aplica 100% do Fio B (leitura conservadora, documentada no código).
Exemplo calculado pelo mesmo código do endpoint /api/v1/dg/payback, com início em 2026.
Premissas do exemplo de 5 kWp. Todas são parâmetros do simulador — troque qualquer uma e o resultado muda de forma transparente.
PremissaValor no exemploObservação
Custo do sistemaR$ 2,80/Wp → R$ 14.000Média residencial de mercado; configurável por proposta.
Rendimento1.400 kWh/kWp·anoEstimativa de referência por município (média brasileira).
Tarifa (TE + TUSD)R$ 0,70/kWhNo produto, vem da tarifa homologada da concessionária local.
TUSD Fio BR$ 0,25/kWh × 60% em 2026Escalonamento do Art. 27; sobe a 75% em 2027.
Simultaneidade30%Parcela autoconsumida sem passar pela rede.
Custo de disponibilidade100 kWh/mês (trifásico)R$ 840/ano que créditos não abatem.
Degradação · O&M · inversor0,5%/ano · 1% CAPEX/ano · ano 12Troca do inversor a 10% do CAPEX.
Resultadopayback ≈ 4,9 anos · TIR ≈ 19%LCOE ≈ R$ 0,22/kWh (desconto de 8% a.a.).
Migração ACR → ACL

Mercado livre, com elegibilidade de 2024 em diante

Desde janeiro de 2024, qualquer consumidor do Grupo A pode migrar via comercializadora varejista (Portaria Normativa MME 50/2022) — o antigo piso de 500 kW não existe mais. Um cliente com 75 kW de demanda contratada é elegível.

Exemplo calculado pelo mesmo código do endpoint /api/v1/migration/calculate.
O QUE O MOTOR CONSIDERA
  • Tarifa cativa real (TE + TUSD + demanda) da concessionária, por subgrupo de tensão (A1–A4, AS).
  • Energia incentivada 50%: desconto de 50% no fio (TUSD) para consumidor especial — Lei 9.427/1996, Art. 26 §1º. No exemplo, vale R$ 37,5 mil/ano.
  • Bandeiras tarifárias: o cativo paga o adicional de bandeira; o ACL não. Configurável por patamar.
  • Custos de migração: adesão CCEE (padrão R$ 1.500 via varejista) e gestão mensal (padrão R$ 200/mês) entram na conta.
  • Encargo de fio mantido: a parcela de demanda (uso da rede) é paga nos dois ambientes — o motor não a esconde.
Premissas declaradas: no exemplo, TE R$ 0,45/kWh, TUSD R$ 0,25/kWh, demanda R$ 30/kW e contrato ACL a R$ 280/MWh, bandeira verde. Sem preço de contrato informado, o motor deriva um preço de referência: média de 12 meses do PLD (nunca abaixo do piso regulatório, R$ 61,07/MWh em 2025) mais prêmio de comercialização de R$ 60/MWh — nenhuma comercializadora vende abaixo do spot, e o simulador não finge que vende.
Metodologia

Como chegamos aos números

Dados reais na entrada

Tarifas homologadas pela ANEEL (TE, TUSD, Fio B, demanda) por concessionária e subgrupo, e histórico de PLD da CCEE por subsistema — os mesmos conjuntos do catálogo de dados.

Regra regulatória no meio

Lei 14.300/2022 (Arts. 26 e 27) no payback; Portaria MME 50/2022 e Lei 9.427/1996 na migração. Quando a regra ainda depende de regulamentação futura, adotamos a leitura conservadora e dizemos isso.

Fluxo de caixa na saída

Ano a ano, em 25 anos no solar: payback simples, TIR (Newton-Raphson) e LCOE. Na migração: custo anual cativo vs. ACL, economia percentual e em quantos meses a adesão se paga.

O que os simuladores não fazem: não preveem PLD (as estatísticas são descritivas), não usam irradiação medida estação a estação (estimativa de referência por município, rotulada como tal) e não geram relatório em PDF. Está tudo no roadmap declarado.

Rode o seu caso com a sua tarifa, não com a média.

No dashboard, a simulação usa a concessionária e o município reais do seu cliente — em segundos, não em horas de planilha.